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:: Artesanato em Alpiarça ::.
Artesanato é a designação dada à manufactura de objectos com matéria-prima existente na região, ou próximo, produzidos por um ou mais artificies com o auxilio dos seus familiares, numa pequena oficina ou na própria habitação, com o fim de os trocar ou vender. |
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Intimamente ligado ao artesanato está o artesão também conhecido por artífice e que é definido por: oficial, operário, obreiro, artista, autor de artefacto, que segundo António das Chagas "Os de qualidade, os pintores e escultores, bons, são pouquíssimos". Dentro destes conceitos, existem Alpiarça um conjunto de artesãos, que de uma forma mais ou menos continuada, fazem os seus trabalhos de artesanato. Porém, a maioria faz um trabalho irregular, não sendo por isso possível apresentá-los. Existem no entanto, dois artesãos nas áreas da Trapologia/Tecelagem e da Cestaria em vime, que têm os seus trabalhos para venda e expõem regularmente em feiras.
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:: TRAPOLOGIA/TECELAGEM ::
.. Maria Celestina Melgada
:: Trapologia - (patchwork) - técnica onde o tecido cortado é predominante, que procura fazer um desenho, de acordo com a selecção das cores e seus padrões, assim como da origem dos tecidos (chitas, castorina, cotim, algodão, rendas e bordados).
:: Tecelagem - Tecidos cortados em tiras com a largura aproximada de 1,5 cm, que é trabalhado no tear, que se encontra carregado com algodão, onde é introduzido o tecido e batido à mão com a "queixa". Como produto final podem surgir: Alforges, passadeiras, tapetes... etc.
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Artesã com a sua venda
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Nos anos trinta houve uma migração de pescadores da Praia da Vieira - Leiria, para o Patacão, motivada pela falta de peixe na zona e haver abundância no nosso Tejo. Como consequência, houve uma encontro de culturas, nascendo a partir daí um traje com a beleza do traje da Praia da Vieira, associada à alegria do traje Alpiarçoilo.
Para efectuar o seu trabalho a D. Celestina procedeu à recolha dos trajes antigos utilizados em Alpiarça, até aos anos 60. O trabalhador que não vestisse devidamente estes trajes era "olhado" pelos seus camaradas.
A partir desta data perdeu-se o uso do traje tradicional, passando a utilizar a roupa de fabrico industrial. | . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
:: Algumas das bonecas vestidas pela D. Celestina

Traje da Fábrica da Passa
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Traje do trabalho no campo |

Traje Domingueiro |

Traje Domingueiro | . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . |
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:: Acessórios:

Alforge - Utilizado pelos homens, para
levar ao ombro o farnel para o campo |

Saco - Saco forrado, utilizado pelas
mulheres para levar o farnel para o campo | . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
:: Contacto:
Maria Celestina Melgada
Rua Sacadura Cabral, 18
2090 Alpiarça
Telefone: 243 557 563
Telemóvel: 936 065 720
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:: CESTARIA EM VIME ::
.............. Manuel Gaspar da Silva
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 Artesão com a sua venda
 Vime a amaciar
 Colocação das vergas
 Estrutura do fundo
 Estrutura do fundo

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O trabalho em cestaria em vime em tempos efectuado pelo sr. Manuel Gaspar da Silva, já falecido, foi uma herança do seu pai. Para fazer face às necessidades dos lavradores para quem trabalhava, o Sr. Manuel, nos seus tempos de criança ajudava o seu pai, no fim de "despegar" e aos fins de semana, a fazer os cestos para a vindima da uva de mesa, para a apanha da passa, para "estercar" as vinhas, apanha da azeitona, isto grandes quantidades - "fazíamos às centenas... de muitos feitios, conforme era preciso para o trabalho". Hoje é visto como um trabalho de artesão, na época, como não existia o plástico e outras materiais sintéticos, era uma necessidade como o "pão para a boca...".
O cesto de vime, quando seco é muito leve, e quando bem feito, com o fundo com vergas cruzadas a fazerem parte da armadura, são também muito resistentes, de difícil destruição.
O vime necessário para a elaboração dos cestos é apanhado na Valinha do Dr. Neves, onde o Sr. Manuel plantou um viveiro, isto à cerca de 30 anos.
O vime é todo castanho, o que no produto final aparece como branco é o castanho debulhado. O primeiro é apanhado em Janeiro, o que é para debulhar é apanhado em Abril, quando está "a ganhar vício".
Depois é debulhado é devidamente seleccionado pela sua secção e atado em pequenos molhos.
Antes de iniciar o trabalho, o vime, que por natureza é rijo, deve ser colocado numa saca de linhagem, e colocado dentro de água, pelo menos durante 2 horas, isto para o vime descascado, porque o vime castanho precisa de uma semana.
"A água da Vala é muito melhor que a água da torneira, está sempre a correr... pronto, é diferente..."
Depois o vime é transportado dentro da saca molhada para conservar a humidade do vime, durante o período de trabalho. O castanho não precisa da saca molhada, conserva mais a humidade.
No início do trabalho, a estrutura de toda a construção é colocada debaixo dos pés.
"temos de usar os pés para segurança da armadura, para depois com as mãos, pôr as vergas ... o que é sempre difícil e cansativo, a posição não ajuda nada"
"Os cestos que aparecem por ai não tem esta segurança, são feitos em duas partes, as vergas não nascem do fundo e por isso partem-se com facilidade".
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