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Câmara Municipal de Alpiarça - Município de Alpiarça

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Geografia Física

Por: José Luís Madeira Avelino *

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O concelho de Alpiarça localiza-se no Ribatejo ou Vale do Tejo, que em termos geomorfológicos faz parte da unidade mais recente de Portugal: Bacia Sedimentar do Tejo/Sado.



Mapa Topográfico do Concelho de Alpiarça

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:: GEOMORFOLOGIA

A Era Terciária (menos de 60 milhões de anos) marca o início da formação da Bacia Sedimentar do Tejo/Sado. Com efeito, durante o Terciário, o Vale do Tejo correspondia a uma enorme depressão resultante da tectónica subsidente naquela sub-região e que era compensada por uma sedimentação bastante activa. Os movimentos subsidentes ainda hoje continuam, em resultado da erosão das áreas envolventes de maior altitude.

No município de Alpiarça os materiais predominantes são dos períodos Pliocénico nas áreas de Charneca, Plistocénico na vila propriamente dita e Holocénico nas proximidades do Tejo. As rochas sedimentares que constituem o concelho de Alpiarça reflectem a sua história geológica: areias, arenitos e argilas.

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No concelho de Alpiarça predominam claramente as superfícies planas de baixa altitude; estas são o resultado da acumulação sucessiva de materiais resultantes da confluência de cursos de água. À medida que nos afastamos do Rio Tejo e entramos nas áreas de Charneca surgem algumas formas de estrutura monoclinal e aclinal.

Em diversas vertentes do território municipal verifica-se o escalonamento de vários terraços fluviais, testemunhando as variações climáticas da Era Quaternária. Nos períodos glaciários os interflúvios e as vertentes são sujeitos a intensos processos de erosão, sendo os terraços postos a descoberto durante os períodos interglaciários.



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:: CLIMATOLOGIA E HIDROLOGIA

À semelhança de praticamente todo o território nacional, o concelho de Alpiarça possui um clima marcadamente mediterrâneo, caracterizado por Verões secos e quentes e por Invernos amenos e húmidos. Contudo, este clima apresenta fortes irregularidades interanuais na distribuição das precipitações, na medida em que a Invernos secos podem suceder-se Invernos muito chuvosos. Nesta última situação, o Rio Tejo abandona o leito normal, dando lugar a cheias que têm um importante papel no enriquecimento dos solos do município.

A análise do regime termopluviométrico intermensal da estação meteorológica mais próxima (Escola Agrícola, na cidade de Santarém) a partir da Normal Climatológica 1941/1970, permite-nos distinguir três estações. Nos quatro meses de Verão (Junho, Julho, Agosto e Setembro), as temperaturas são elevadas (sendo em Agosto que se atinge o valor mais elevado da temperatura média mensal: 23,3ºC) e as precipitações quase nulas. Os meses de Inverno entre Novembro e Março apresentam precipitações elevadas e superiores a 80 mm (em Março, atinge-se o pico com 99,1 mm), sendo as temperaturas mais baixas; contudo, as temperaturas médias mensais não descem abaixo dos 10ºC (Janeiro é o mês mais frio). Os restantes meses de Abril, Maio e Outubro fazem parte das estações intermédias da Primavera e Outono.

O clima influencia decisivamente a rede hidrográfica, que é marcada pela presença do Rio Tejo, principal rio ibérico. Paralelamente ao Rio Tejo escoa, de nordeste para sudoeste, a Vala de Alpiarça (com nascente no Semideiro e foz nas proximidades de Benfica do Ribatejo), cuja existência se deve a uma intervenção hidráulica do séc. XIX com o objectivo de criar condições de navegabilidade e de melhorar as condições de salubridade e aproveitamento agrícola dos solos.




O concelho de Alpiarça é bastante rico em recursos aquíferos, consequência da riqueza hidrográfica à superfície e da permeabilidade das rochas e solos, o que permite prestar um bom serviço às populações em termos de abastecimento de água, ainda que a poluição dos solos agrícolas possa, a médio prazo, provocar a poluição de alguns aquíferos.

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* Mestre em Geografia Humana e Planeamento Regional e Urbano