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Geografia Humana - Censos 2001

 

Os resultados dos Censos que têm vindo a ser disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (primeiro os preliminares e depois os provisórios) reflectem um amplo movimento de concertação entre diversos parceiros por forma a levar a bom termo os objectivos inicialmente preconizados.

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Por: José Luís Madeira Avelino *


  Com efeito, a informação disponível é essencial para identificar as principais transformações e tendências na organização do território, o que se considera essencial na gestão municipal, designadamente no que se refere à programação da construção e remodelação de equipamentos e infra-estruturas, bem como na identificação de linhas estratégicas de desenvolvimento concelhio.

   Tendo por base os resultados provisórios dos Censos de 2001, o concelho de Alpiarça possui 8.024 habitantes, ultrapassando assim a fasquia dos 8 mil residentes, o que apenas tinha acontecido em 1981. De acordo com a informação disponível, o concelho de Alpiarça aumentou a sua população nos últimos dez anos em 4,1%, o que corresponde a um acréscimo superior ao da sub-região em que se insere (Lezíria do Tejo), ainda que seja inferior à média nacional (que é de 5,3%).
 

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:: EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO E DE VARIÁVEIS DEMOGRÁFICAS
 


 

   Esta evolução demográfica do município de Alpiarça rompe com a tendência anterior que ia no sentido do decréscimo populacional em ritmos superiores aos da região envolvente. A inversão agora registada resulta da conjugação de factores endógenos e exógenos e que têm levado a uma crescente construção no concelho (3.232 edifícios em 2001), quer de gentes da terra quer de população proveniente de concelhos vizinhos (como Almeirim e Santarém) e de concelhos da Área Metropolitana de Lisboa (em busca de outras vivências e de uma melhor qualidade de vida).

   Continuando a ter por base os resultados disponibilizados pelos Censos 2001, conclui-se que, à semelhança do que sucede noutros municípios da região e do país, foi a componente do saldo migratório (com um acréscimo de 10%) a principal responsável pelo crescimento demográfico verificado, uma vez que o saldo natural permanece francamente negativo devido ao envelhecimento demográfico (decréscimo de 6%). Este facto é, em grande medida, resultado da entrada de cidadãos provenientes de países do leste europeu e que estão, fundamentalmente, ligados à construção civil.

   A quebra da fecundidade e o aumento da esperança média de vida levaram a que a estrutura demográfica portuguesa sofresse, nos últimos anos, profundas transformações. Reforçou-se a tendência, anteriormente esboçada, para o envelhecimento da população, quer na base quer no topo. A percentagem de jovens diminuiu no concelho de Alpiarça de 16,0% em 1991 para 12,9% em 2001, acompanhando a tendência nacional. Concomitantemente, o peso dos idosos aumentou consideravelmente em Alpiarça, passando de 19,8% no início dos anos 90 para 23,1% no último recenseamento; detectam-se comportamentos semelhantes no Continente e na NUT III respectiva, ainda que no município de Alpiarça o índice de envelhecimento em 2001 seja bastante superior à média nacional (179% em Alpiarça e 105% no Continente), gerando problemas económicos e sociais de difícil resolução a curto e médio prazo.

 

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:: EVOLUÇÃO DOS GRANDES GRUPOS ETÁRIOS




 

 Uma outra informação relevante diz respeito à evolução dos níveis de instrução da população residente no concelho de Alpiarça, uma vez que esta variável é, cada vez mais, considerada um factor decisivo na capacidade competitiva dos territórios, tendo em consideração as transformações tecnológicas que têm ocorrido no processo produtivo.
 
    Em Alpiarça ocorreram melhorias nos níveis de instrução da sua população, expressas na diminuição da população sem qualquer nível de ensino e sobretudo da população com o 1º ciclo do ensino básico (antiga escola primária), ao passo que a população com ensino secundário e superior aumentava consideravelmente. Ainda assim, a percentagem de população analfabeta e com um baixo nível de instrução permanece elevada e acima da média nacional, o que constitui um factor de entrave à modernização do tecido produtivo local.



 

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Instituto Nacional de Estatística: http://www.ine.pt

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* Mestre em Geografia Humana e Planeamento Regional e Urbano