Saltar para o conteúdo principal

PEÇA DO MÊS DE FEVEREIRO DE 2019

 

.


Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça
Peça do mês –  Fevereiro
 Taça 
Leitão & Irmão
Século XX
26 x 12 cm
Peso 1098g
CP – MA
Inv. Nº 84.252

 

Em Fevereiro apresentamos uma peça que faz parte da História de Vida do proprietário da Casa dos Patudos, uma taça em Prata, que ficou conhecida na história da Casa dos Patudos como a Taça da Amizade. Esta foi oferecida por José Relvas à esposa aquando da comemoração das bodas de prata do seu casamento. 

 

A 5 de Fevereiro de 1882, José Relvas casou com Eugénia Antónia de Loureiro da Silva Mendes (sua prima por via materna). A taça em prata é decorada com vários elementos, mas ao centro aparece-nos a referência à data do casamento Eugénia - José – 5 de Fevereiro de 1882 - 5 de Fevereiro de 1907.

 

A taça tem 10 gomos côncavos decorados com um conjunto muito interessante de iconografia: cruzes, cestos de rede e escudos. O campo é amplamente decorado com: lírios, as cinco quinas, esfera armilar, o brasão da cidade de Lisboa, a cruz de Cristo, Avis e Santiago, um pelicano que alimenta os filhos e a frase já anteriormente mencionada. A base é também decorada com folhagem e volutas.

 

A técnica usada no trabalho da prata foi a da cinzelada e a da martelada. A taça foi feita na Casa Leitão & Irmão, em Lisboa. A peça é contrastada com javali, significando a configuração exterior da marca que diferenciava a contrastaria.

 

Os registos sobre a Casa Leitão têm origem no ano de 1822, quando José Pinto Leitão (1798-1866) se submeteu, com êxito, ao exame de ourives do ouro, na Confraria de Santo Elói, da cidade do Porto, dando continuação ao negócio de seu sogro, José Teixeira da Trindade. A oficina situava-se na Rua das Flores, freguesia da Sé, uma das principais ruas da cidade, escolhida por nobres e abastados que aí construíram luxuosos palacetes, sendo considerada a zona mais rica da cidade. 

 

Em 1873, José Pinto Leitão é reconhecido como Ourives da Casa Imperial do Brasil, devido à excelência das peças executadas. Nessa mesma data, sucederam-lhe os filhos: Narcizo Tomás Pinto Leitão e Olindo José Trindade Pinto Leitão, surgindo daí a designação de Leitão & Irmão. Em 1877, é inaugurada uma loja em Lisboa no, então, Largo do Loreto ou das duas Igrejas – hoje Largo do Chiado, zona elegante da capital. Esta deslocação da Leitão & Irmão para a Lisboa marca o início de um novo empreendimento artístico. Nos anos seguintes, registou-se uma grande atividade no comércio de artigos de joalharia de luxo e obras de artes decorativas para as famílias mais abastadas do país. O maior reconhecimento viria com a mercê do título de “Joalheiros da Corôa”, concedido por alvará de 23 de Dezembro de 1887. 
 
 
 

Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça

 

 

 
 
 
 
 
 
 
voltar ao topo