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Peça do Mês de Setembro de 2019

 

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Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça

Peça do mês – Setembro
Transporte do vinho para Lisboa

Painel de Azulejos

Jorge Pinto

1905-1906

CP – MA

A peça que escolhemos para o mês de Setembro é um painel de azulejos alusivo ao transporte do vinho da Quinta dos Patudos, para Lisboa. José de Mascarenhas Relvas está intimamente ligado aos negócios, em particular, à venda do vinho: o grande agricultor passa também a ser um empresário vitivinícola. A Quinta dos Patudos, nos inícios do Século XX, produzia: vinho, azeite, cortiça e cereais, tendo no vinho a principal produção. A partir do ano de 1907, José Relvas, resolveu abrir a Adega Regional do Ribatejo. Esta sociedade por quotas teve a sua primeira sede em Alpiarça, na Quinta dos Patudos. O patrono dos Patudos foi o sócio número oito e seu secretário. A Adega teve um entreposto comercial em Lisboa, na Rua do Crucifixo, 118 -124. Aqui era vendido o vinho que era produzido na Quinta dos Patudos e noutras propriedades de Alpiarça.

A escolha deste painel de azulejos prende-se com o facto de estarmos no mês das vindimas, encontra-se em destaque num dos painéis de azulejo que decoram o espaço de ligação entre a zona de serviços e o andar nobre da Casa dos Patudos, mais propriamente na escadaria de aparato. O figurino apresentado é todo ele com base em fotografias dos trabalhos agrícolas da quinta, tiradas pelo próprio José Relvas, em 1893. Estes azulejos, de caráter figurativo e temática agrícola foram colocados na casa antes da sua inauguração, foram pintados por Jorge Pinto entre 1905 e 1906, na Fábrica Constância, Lisboa.
José António Jorge Pinto cursou na Academia de Belas Artes de Lisboa, foi discípulo de Ferreira Chaves e José Salgado. Até 1906, Jorge Pinto foi o responsável pela decoração cerâmica na Fábrica Constância. Esta foi fundada em 1836 com a denominação oficial Companhia Fabril de Louça, nome que seria alterado para Fábrica Constância, em 1842. Uma vez que as instalações da fábrica ficavam no antigo convento dos Marianos, a fábrica ficou também conhecida como Fábrica dos Marianos ou ainda como Fábrica das Janelas Verdes, uma vez que estava situada na Rua de S. Domingos que ia até às Janelas Verdes. Em 1921, Leopoldo Battistini tomou de trespasse a fábrica onde trabalhou até à sua morte. Nesse período, a fábrica ganhou várias medalhas de ouro e o Grand Prix nas exposições de Paris, Sevilha e Rio de Janeiro entre outras. Depois da sua passagem pela Fábrica Constância, Jorge Pinto colaborou ainda com a fábrica de Sacavém e de Campolide cujos produtos utilizou para as suas próprias encomendas. As suas obras encontram-se dispersas por vários espaços públicos como jardins, residências e lojas.

O painel escolhido mostra-nos, em primeiro plano, o embarque do vinho para Lisboa. O vinho era transportado de barco, via Tejo.

Em segundo plano, vê-se as margens do rio com algumas árvores.
Tecnicamente é um painel bicolor com um desenho muito rigoroso, quer ao nível do traço quer da perspetiva, onde o pintor jogou bem com a dinâmica do claro-escuro criando manchas de luz e sombra. Os quadros são rematados com uma moldura decorada com motivos vegetalistas, nomeadamente folhas de acanto, enrolamentos e putti nos remates (que segundo a tradição foram desenhados tendo como modelo os filhos do pintor).

Casa dos Patudos – Museu de AlpiarçaCasa dos Patudos – Museu de Alpiarça

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
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