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Peça do Mês de Novembro de 2021

 

Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça
Peça do mês – Novembro

Um Diácono em Roma
Aguarela sobre papel
Arcadio Mas Y Fondevilla

1882
114 cm X 94,5
 cm
CP – MA
Inv. Nº 84.815

 


 

Em Novembro apresentamos uma aguarela da autoria do pintor espanhol Arcadio Mas Y Fondevilla, que pinta na cidade de Roma um diácono no final de uma celebração religiosa. Aparece-nos representada precisamente um trecho de uma nave de uma igreja romana, percebemos que a missa já terminou e eis chegada a hora das arrumações. Por essa razão é dado protagonismo ao jovem diácono, retratado em posição central, durante um breve momento de pausa ao longo da sua caminhada para a sacristia, quando olha na direção da luz, a vislumbrar qualquer coisa que escapa ao olhar do observador.
Em primeiro plano o diácono encontra-se paramentado com todas as galas do ofício, segundo a ocasião requeria: dalmática vermelha, de ricos sebastos dourados tunicela também vermelha e alva de mangas larguíssimas puxadas para cima, de modo a ter desenvoltura nas mãos, encontra-se junto do altar e vem carregado, transportando o cálice, a lavanda e o turíbulo de prata.
Do ponto de vista físico a sua delicadeza assenta na densa cabeleira, que lhe dá um ar angelical, assim como os prolongamentos brancos das vestes que lembram umas asas que começam a abrir-se, mas o que mais cativa o olhar do observador são os olhos quase cerrados e a boca entreaberta, quase num transe contemplativo que reflete a aura, a um tempo místico da própria Igreja.
O pintor Arcadio Mas Y Fondevilla nasceu em Barcelona em 1852. Aluno da Escuela de Bellas Artes de Barcelona, frequentou ateliers de mestres de renome e foi fortemente Influenciado pelos mestres do Barroco, especializou-se em obras de ar livre com temáticas académicas. Detentor de um estilo muito eclético, pautado pelo virtuosismo dos pormenores e pela especulação lumínica, o artista evoluiu, ao longo da sua extensa carreira, do Naturalismo de recorte tardo-romântico, à maneira de Mariano Fortuny, para o Realismo académico, inspirado nos ensinamentos do napolitano Domenico Morelli, e, no limiar do século XX, para as novas visões do Modernismo. Embora mais conhecido pelas composições a óleo, o pintor distinguiu-se também, como exímio aguarelista. Vem a falecer em Sitges, em 1934.
A aguarela apresentada está assinada e datada. A moldura é em madeira entalhada pintada de preto com os entalhes a dourado em forma de arabescos e contém vidro.
O grande colecionador José Relvas adquiriu esta obra em Madrid, na venda da antiga coleção García-Vela, pelo preço de 1.400 pesetas.

 

Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça